Satélites distantes

Enquanto tudo muda sem parar, com novas rotinas, vários fins e começos, é inevitável perceber que nem tudo consegue passar incólume.

Uma das coisas das quais percebi nos últimos dias é que estou firme e forte no caminho de achar o eixo de mim mesmo, dentro do redemoinho que está me deslocando quase que completamente de um lugar e levando a um ponto mais alto.

Isso tem me feito sair da marcha automática em que me encontrava, voltando a ser mais extrovertido. Muitos sabem que eu não vinha agindo como sempre; que não vinha me entregando às relações humanas como de costume. Sem que eu percebesse, porém, estou aos poucos saindo de um casulo, voltando a me reaproximar.


Mas algumas pessoas se tornaram satélites distantes. Elas não somem, suas influências não desaparecem, mas pelo menos ficam em órbita fora da minha atmosfera. Eventualmente podem cair, ou influenciar algum campo magnético de pensamento. São como ecos, como traços importantes de uma história da qual não há mais um escritor.

Uma das conquistas das quais mais me orgulho é a independência. Após quase uma década, fui me moldando a um tipo de pessoa que sente necessidade de guiar sua própria órbita em volta do Sol. Hoje, de fato, sou dono da minha própria vida. Senhor do meu próprio planeta. Contudo, há uma linha tênue entre a independência e a solidão, e essa é uma das grandes lições a serem aprendidas.

É por isso que nesse planeta, onde várias pessoas podem andar livremente, manterei alguns satélites. Como a Lua em relação à Terra, esses satélites já foram parte desse planeta, mas agora são importantes ainda distantes. Hoje, lá de fora, na estratosfera da vida, irão girar e girar, vagar pelo infinito. Planetas e satélites são separados, mas mantêm-se juntos, contemplando de longe, um ao outro, cada um em sua ótica particular, suas vidas girando e crescendo, sendo felizes.

No espaço e tempo infinitos, os distantes satélites em órbita e seus planetas serão apenas pedaços flutuantes de passado que se desintegrarão. Mas, como não viveremos pra sempre, a importância da existência se faz no agora, valorizando cada fração de segundo que compartilhamos uns com os outros. E, assim, as memórias sobreviverão para sempre dentro da nossa noção de eternidade. Quanto tempo viveremos? Não se sabe. "Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado".

E eu estou vivo.

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